Governo Lula ataca família Bolsonaro após decisão dos EUA sobre PCC e CV: ‘Falsos patriotas’
Palácio do Planalto reage após EUA classificarem PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e critica atuação da família Bolsonaro no exterior
O governo Lula rebateu, nesta quinta-feira (28), a decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.
Em nota, o Palácio do Planalto criticou a família Bolsonaro por articular a medida em solo americano e afirmou que a nova classificação fere a soberania nacional, além de confundir crime organizado com terrorismo internacional.
A reação ocorre após o governo dos EUA alegar que as facções são responsáveis por ataques violentos contra civis e autoridades, o que o Brasil interpreta como um pretexto para intervenção estrangeira e possíveis sanções econômicas.
Governo Lula critica atuação da família Bolsonaro nos EUA
Na nota, o governo brasileiro citou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sem mencionar nomes específicos, a nota chama como “falsos patriotas” aqueles que, segundo o Planalto, buscam apoio internacional para pressionar o Brasil.
“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil”, diz um trecho da nota.
Na última quarta-feira (27), o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) se encontraram com o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Flávio Bolsonaro encontra Marco Rubio, braço-direito de Donald Trump
Foto: @flaviobolsonaro/Instagram/ND Mais
O presidenciável confirmou que solicitou novamente aos representantes do governo americano que as facções criminosas PCC e CV fossem designadas como organizações terroristas.
Classificação do PCC e CV como terroristas
Um dia após o encontro, a decisão foi anunciada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo o governo americano, PCC e CV estão entre as organizações criminosas mais violentas da América Latina e são responsáveis por ataques contra policiais, autoridades públicas e civis.
A medida amplia o alcance das autoridades americanas para aplicar sanções financeiras, bloquear ativos e intensificar mecanismos de cooperação internacional contra integrantes e apoiadores das facções.

Estados Unidos classificam PCC e CV como terroristas
Foto: Canva/ND Mais
O governo brasileiro, porém, fez questão de diferenciar o crime organizado do terrorismo internacional.
"O terror causado por essas organizações busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com ações de motivação ideológica, política ou religiosa”, afirma a nota.
Planalto diz que soberania brasileira é “inegociável”
Ao longo da nota, o governo Lula diz que o Brasil já possui instrumentos legais para enfrentar facções criminosas e milícias.
O texto destaca a aprovação recente de uma Lei que prevê penas de até 80 anos de prisão para crimes ligados ao crime organizado. Também cita o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, voltado ao combate das estruturas financeiras e operacionais das facções.
Apesar das críticas à classificação adotada pelos EUA, o governo brasileiro afirmou que mantém disposição para cooperar internacionalmente no combate ao tráfico de armas, drogas e lavagem de dinheiro.

Planalto afirmou que a classificação do PCC e CV como terroristas não pode justificar interferência externa no Brasil
Foto: Pedro França/Agência Senado/ND
Segundo o Planalto, uma proposta de cooperação foi apresentada aos americanos em 16 de abril deste ano. O plano prevê ampliação do compartilhamento de inteligência e maior controle sobre recursos financeiros movimentados fora do Brasil.
Governo Lula teme impacto sobre economia e sistema financeiro
A nota também alerta para possíveis consequências econômicas e institucionais da decisão americana. O governo afirma que medidas unilaterais podem prejudicar o intercâmbio de informações entre polícias e afetar setores estratégicos do país.
O texto cita diretamente o PIX, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, ao afirmar que inovações nacionais “incomodam interesses estrangeiros”.
Para o governo Lula, ações externas sem negociação prévia podem gerar “retrocesso no combate ao crime”, além de riscos à economia e à segurança da população.
“Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, conclui a manifestação oficial do governo federal.
Por NDMAIS
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